Vamos falar sobre… Felicidade.

Um conceito amplo, mas ao mesmo tempo claro que se enquadra em várias vertentes das nossas vidas, a individual, a familiar, a amorosa, a dos relacionamentos a todos os níveis, a profissional, a social. Felicidade envolve, antes de mais, ser visto, ser percebido pelo outro. Num momento em que menos se espera é ter alguém que se ama ou que é significativamente importante para nós, que nos viu. Não só nos viu com os olhos, mas nos viu profundamente no entendimento do nosso ser, da nossa alma, de quem realmente somos.

Pode ser através de um gesto, pode ser numa falta, numa omissão, num medo, numa insegurança, num erro, num pedido de ajuda. Aquela pessoa viu-nos porque nos compreendeu plenamente naquela situação. Conseguiu colocar-se no nosso lugar e sentir o mesmo. Mas também nos viu porque quer estar connosco; porque faz sentido para ela ternos por perto.

Ser visto é algo de genuíno nas relações interpessoais e contribui com toda a certeza para o caminho da felicidade. Sim, porque a felicidade não é um destino, é um caminho a ser percorrido. Quando os outros nos percebem com esta intensidade; quando nos sentimos percebidos nesta profundidade no meio de uma multidão de gente, estamos a percorrer e a alimentar o caminho da felicidade. Ir vivendo o processo neste percurso é a chave para ser mais feliz.

Mas esta felicidade também é alimentada quando, por exemplo, alguém se lembra de nos trazer uma lembrança, um doce, uma comida, uma flor, um mimo. Só porque viu aquilo e lembrou-se de nós, porque sabe que nós gostamos. Isto também é felicidade. Isto também contribui para preencher o caminho da felicidade.

Mas também quando alguém nos escutou quando a nossa voz ficou em silêncio ou quando alguém nos considerou ao colocar-nos num lugar em que nós não imaginávamos caber. Quando alguém se lembrou do nosso aniversário no meio da correria do dia-a-dia e nós nem temos redes sociais como “reminder”. E ainda quando alguém nos oferece carinho sem cobrança e atitudes naturais que dão espaço e direito ao silêncio. O direito a ser. Tudo isto se reflete na segurança deste vínculo afetivo sem ser necessário haver algo em troca, uma vez que é feito com naturalidade.

Mas é impossível falar de felicidade sem falar se pessoas infelizes, elas vão falar de si independentemente do que quer que faça. Se fizer o bem, elas criticam. Se fizer um erro elas comemoram porque as pessoas infelizes não vivem a própria vida. Elas vivem a observar e a avaliar os outros. Elas torcem contra a vida dos outros. Por isso mesmo nem todas as pessoas merecem fazer parte do seu caminho de felicidade. Nem todas as pessoas merecem ter acesso ao que constrói, aos seus planos, aos seus sonhos. Porquê? Porque há pessoas que se entrarem neste seu caminho de felicidade só entram para sugar. E se souberem dos seus projetos espalham. Se tiverem acesso só vão atrapalhar. Por isso, afaste quem atrasa, bloqueie quem drena a sua energia, feche portas com coragem, corte laços se necessário for. Não insista em manter pessoas que não sustentam nada na sua vida.

Muitas vezes seguramos relações que já deveriam ter sido cortadas há muito tempo. Sejam elas familiares, de amizade, profissionais ou amorosas. Ou porque não somos capazes de o fazer por algum motivo, ou porque estamos preocupados com o que esses outros vão pensar, ou porque pensamos que aguentamos e damos mais uma oportunidade, ou porque não sabemos colocar limites nesses outros, etc. Mas para avançar no caminho da felicidade por vezes precisamos de espaço. O futuro exige que façamos uma limpeza relacional de tempos a tempos porque o crescimento de uma pessoa obriga a desligar-se de algumas pessoas – as tóxicas.

É verdade que há pessoas na sua vida que são âncoras, mas também é verdade que há outras que são um autêntico atraso para a sua vida. Depois também há pessoas que ocupam um lugar na sua vida que não é delas. Se entender isto, o seu sofrimento pode aliviar drasticamente porque vai deixar de carregar nas costas quem nunca nem sequer tentou caminhar consigo.

A sua história no caminho da felicidade vai ser contada pelo que constrói e não pelo que os outros falam da sua vida. Então permita-se remover pessoas, desistir de pessoas, filtrar quem entra, limpar o seu percurso de felicidade e deixar apenas quem vem para acrescentar de forma positiva e construtiva. Não é desistir num primeiro momento, mas não tem que investir a vida toda em relações tóxicas. Porque este seu percurso não depende da aprovação dos outros. Depende apenas do seu propósito, dos seus objetivos, planos e sonhos. E aqui só cabe quem o vê e compreende em profundidade.

Sílvia Pereira, Dra, 2022

Está gostando do nosso conteúdo? Compartilhe clicando abaixo:

Silvia Pereira

Sou a Sílvia Pereira, Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta e Diretora Clínica, com um percurso marcado por décadas de prática clínica, investigação e formação contínua, a nível nacional e internacional.

Veja outros artigos